A Secretaria da Saúde do Ceará publicou nesta sexta-feira (29) uma edição especial do Boletim Epidemiológico das Doenças Tropicais Negligenciadas (DTN) do Estado. O documento apresenta o cenário das principais doenças, bem como dos territórios que precisam de medidas interventivas para o alcance dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentáveis (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU) no setor de saúde correspondente à Meta 3.3, que visa a acabar com as DTNs até 2030, garantindo maior qualidade de vida à população.

A publicação aponta que o Brasil concentra 90% da carga de DTN da América Latina e Caribe. As consequências geradas em virtude do acometimento destas doenças são morbidade, mortalidade, incapacidade e estigma, que tem amplo espectro nas populações de alto risco e em situação de vulnerabilidade. O Boletim Epidemiológico mostra dados levantados desde 2015 relativos às doenças que lideram com as maiores prevalências no Ceará, que são: doença de Chagas, leishmaniose, hanseníase, esquistossomose, raiva, acidentes ofídicos (com serpentes) e tracoma (doença ocular inflamatória crônica – ceratoconjuntivite).

De acordo com Vivian da Silva Gomes, assessora técnica da Sesa que compõe a equipe responsável pelo Boletim, o propósito da publicação é chamar atenção para a data desta sexta-feira, 30 de janeiro, dia internacional de luta para erradicação dessas Doenças Tropicais Negligenciadas, grupo de 20 enfermidades causadas por parasitas e agentes infecciosos que atingem cerca de 20% da população mundial.

Ações de vigilância

“Nós observamos uma queda, desde 2015, na ocorrência dessas doenças no Ceará. Entretanto, ainda temos a permanência delas. São doenças que já deveriam ser eliminadas. A OMS (Organização Mundial da Saúde) renovou recentemente o plano global para o combate a essas enfermidades. Então, nosso grande objetivo com essa publicação é chamar atenção dos gestores de Saúde do Ceará e dos municípios cearenses para as ações de vigilância dessas doenças”, explica a assessora técnica.

As DTNs ainda são tidas como invisíveis, com grande desconhecimento sobre a existência delas. A negligência pode ser explicada pelo baixo investimento em pesquisas para o tratamento e pouco desenvolvimento da indústria farmacêutica para essa finalidade. “Ainda morrem cearenses por essas doenças. Elas refletem a desigualdade social dentro de um território porque, na maior parte das vezes, estão atreladas às populações mais vulneráveis, sem acesso a saneamento básico, por exemplo. Isso precisa ser evidenciado para que as doenças deixem de existir”, ressalta Vivian Gomes.